O tempo passa... Agora me lembro. Me lembro o porque de todas estas fugas: a dor. Essa angústia, desde que me lembro, ela está em meu ser. As primeiras lembranças disso datam de quando eu tinha uns 5 anos de idade. Uma angustia sem causa aparente... Uma angustia por não ser independente. Não sei se poderia dizer que esta angustia é por não ser amado... Ela é real. É mais fácil cair em alguma ilusão de devaneio vago (bebida, baladas, ouvir musica) ou ocupar-me (ler). Ocupar-me de mim não deveria ser uma opção. Sempre a mesma angústia. É uma neblina em minha vida... Agora me lembro. E me lembro bem. Aparenta que o meu achado é um perdido. Me lembro que havia bastante esperança.... Me lembro que na minha mente havia suporte, havia o porto seguro.... Os pequenos explosivos inconscientemente por mim plantados implodiram o porto. Tudo o que restou foi ir ao píer mais próximo... Mas, por mesmo que o navio seja pequeno, um píer jamais será um atracadouro. Dá apenas para desembarcar. Agora, me vejo perdido no píer, contando o tempo, pois tenho certeza que ele desabará tal qual o porto. E eu me vejo como um navio perdido, sem combustível. Não se usa mais carvão, esse navio não anda bem com óleo diesel. Por mais que se fale com um técnico de motores, ainda não conseguiram fazer o navio andar bem com óleo. E o navio, que só atraca no píer, já roda no óleo há uns 4 anos. Se o navio volta ao porto, só vê escombros... Exceto pelo bar que havia ali, no qual alguns dos antigos colegas ainda fazem uma refeição ou outra... E o navio volta ao píer.... E o capitão entra em agonia, pois sua lembrança mais concreta é a angustia....
Escrito por Ðårkness`Ångel às 22h50
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